TRIAL BIDS
texto baseado no livro "The Modern Losing Trick Count" de Ron Klinger

O QUE É O TRIAL BID?

O trial bid é uma mudança de naipe por parte do abridor, após um apoio simples do respondente a uma abertura em naipe rico. Trata-se de uma sequência de convite a partida, pedindo ajuda num naipe específico. Desta forma caiu em desuso a antiga sequência de convite 1x - 2x - 3x que, no bridge moderno passou a ser utilizada como sequência de barragem, para a grande maioria das parcerias, mostrando uma abertura de zona 1 (mínima) com 6 cartas no naipe rico. A evidente vantagem do trial-bid é a de facilitar a avaliação do parceiro, procurando o encaixe dos pontos, mais do que a antiga informação "a peso" do máximo ou mínimo. Em vez de mais ou menos pontos procura-se, desta forma, os bons e os maus pontos.

A mensagem pode resumir-se assim:

"Tenho uma boa abertura, a nossa força combinada pode ser suficiente para partida mas, para a marcar, preciso de ajuda neste naipe, onde tenho 3 ou mais cartas e 2 ou 3 perdentes."

Concordando a generalidade dos jogadores nos objectivos da sequência, várias são as versões do trial-bid e as condições de utilização, que variam de parceria para parceria. Neste artigo apresentamos esta versão e também os comentários de um dos fundadores da Escola e prestigiado bridgista, Manuel Oliveira, que nos traz uma versão algo diferente da de Ron Klinger.

Comecemos então pela versão Klinger:

Exemplos de naipes que justificam um trial bid:
Rxxx; xxxx; Vxx; Dxx;

Exemplos de naipes que não justificam um trial bid:
ADxx; RV10x; AV10x; xx

COMO FUNCIONA

Tratando-se de um pedido específico de ajuda num determinado naipe, a atitude do respondente é simples de codificar:

Marca partida
» 0 ou 1 perdente no naipe do trial bid, qualquer força
» 2 perdentes no naipe do trial bid, máximo nos limites anunciados

Desiste
» 2 perdentes no naipe do trial bid, mínimo nos limites anunciados
» 3 perdentes no naipe do trial bid

Para além destas 2 opções mais vulgares, o respondente deve ter a flexibilidade necessária para transmitir informações úteis ao parceiro, como no caso do exemplo 5.

EX 1:

NORTE

SUL

LEILÃO

96

8732

NORTE
SUL

ADV64

R73

1
2

A3

7654

3
4

A654

R3

 

½ perdente no naipe do trial. Deve aceitar o convite.

EX 2:

NORTE

SUL

LEILÃO

96

R732

NORTE
SUL

ADV64

R73

1
2

A3

765

3
3

A654

873

 

3 perdentes no naipe. Não deve aceitar o convite.

EX 3:

NORTE

SUL

LEILÃO

96

DV32

NORTE
SUL

ADV64

R732

1
2

A3

765

3
3

A654

73

 

2 perdentes no naipe. Não deve aceitar o convite porque está mínimo na voz

EX 4:

NORTE

SUL

LEILÃO

96

DV32

NORTE
SUL

ADV64

R732

1
2

A3

R65

3
3

A654

73

4
 

2 perdentes no naipe, mas máximo na voz. Vamos ver se a ajuda em oiros é bem-vinda. Ao marcar 3 está a dizer que apesar de ter 2 ou 3 perdentes em paus, está máximo na voz e cobre uma perdente em oiros. O parceiro vai avaliar e, neste caso, aceitar.

EX 5:

NORTE

SUL

LEILÃO

D83

542

NORTE
SUL

ARD643

V72

1
2

96

AR5

2
3

A4

D732

4
 

Mesma situação do exemplo anterior. Chamamos a atenção para o facto da marcação de 2 mostrar um jogo com força de inversa, antes deverá ser entendido como trial bid. Estando definida a força do respondente com valores de inversa o abridor teria marcado directo 4

A proposta de Klinger permite alargar ainda mais o âmbito de acção dos trial-bids. Com efeito, em todos estes exemplos o abridor tinha um problema num naipe lateral. Em alguns casos, no entanto, o abridor tem uma mão desbalançada, com valores nos naipes compridos e um singleton. Nestas situações, o importante será saber se o parceiro tem ou não valores perdidos no naipe curto.

Para estas situações surge então o conceito de SHORT TRIAL, que permite manter o trial tradicional tal como foi exposto, sem lhe provocar grandes alterações.

SEQUÊNCIAS APÓS 1 - 2

2ST = Short trial » "Tenho um singleton. Para saber qual, o respondente marca 3.

O respondente não é obrigado a marcar 3, podendo marcar 3 para mostrar uma mão mínima, com valores dispersos.

Qualquer naipe do abridor após 1 -2é o clássico trial bid.

SEQUÊNCIAS APÓS 1 - 2

2 = Short trial » " Tenho um singleton. Para saber qual, o respondente marca 2ST.

O respondente não é obrigado a marcar 2ST, podendo marcar 3 para mostrar uma mão mínima, com valores dispersos.

Qualquer naipe do abridor após 1 -2 é o clássico trial bid (para espadas, o trial bid é feito em 2ST). A sequência 1 -2 - 3 é uma mão sem interesse em partida mas com 6 cartas no naipe.

NOTA: O trial bid não é utilizado após abertura e apoio em naipe pobre. Nestes casos, um novo naipe do abridor mostra, geralmente, valores no naipe anunciado, abertura forte e tentativa de jogar 3ST.

Se bem que as alterações propostas não afectem radicalmente o sistema de marcação, é normal que, antes de estarem consolidadas as necessárias rotinas, se verifiquem situações de enganos ou esquecimentos.

TRIAL BIDS
uma opinião de Manuel Oliveira sobre o tema

Gostaria de dar um pequeno seguimento a um princípio de debate sobre trial-bids que ocorreu há um par de meses e ao desafio do Luís Oliveira para aprofundar o tema.

Quero dizer em primeiro lugar que não considero o trial-bid uma convenção, como de resto também não considero convenção o 4º naipe forcing.

Penso que são acima de tudo instrumentos do leilão que permitem aumentar a sua precisão e, tanto quanto me lembro – já lá vão uns anos -, foi dos primeiros a ser utilizado por jogadores mais ou menos principiantes numa época em que – vejam lá – ainda se nem jogavam os dobres negativos.

E a propósito de dobres negativos, também os incluo neste grupo, e julgo que ninguém os considera hoje em dia como uma convenção mas apenas como mais um instrumento do leilão.

Pode-se sim dizer que se trata de vozes convencionais tal como os cue-bids ou os controlos, no sentido de que podem não corresponder à existência de um naipe “verdadeiro”, mas dão ou pedem informações suplementares nesse naipe ao parceiro.

Voltando ao trial-bid:

É muito comum ver jogadores com pouca cultura de bridge convidarem o parceiro a marcar partida utilizando este tipo de leilão:

1- 2
3

Ora a voz de 3 no bridge moderno só deve ter dois significados possíveis:

Ou barragem em mãos de abertura mínima com 6 cartas (eventualmente 5 cartas mas fortemente desbalançadas), ou menos frequentemente como pedido para marcar 4 com um bom apoio em trunfo.

Utilizar a voz de 3 como convite é “marcar a peso” porque pede ao parceiro para aceitar o convite se estiver máximo ou passar se mínimo, quando se sabe que mais importante que o total de PH entre as duas mãos, é o modo com eles se encaixam.

Ora o “trial-bid” é uma voz que pede ao parceiro para marcar partida se cobrir perdentes que o abridor tem no naipe do “trial-bid”.

Em que situações se fazem trial-bids?

A situação mais comum é quando o Respondente apoia ao nível de 2 o naipe rico de abertura*.

Suponhamos as seguintes mãos:

CASO 1

CASO 2

AD753

RD1072

AR4

A6

R8

RV32

1072

A3

Após 1 - 2, o abridor quer tentar partida em ambos os casos.
Ele sabe que o respondente tem 3 ou 4 cartas em espadas e 6 a 10 DH. Precisa no entanto de saber se os pontos do parceiro se encaixam bem no seu jogo.
Com a voz de 3 no primeiro caso, o Abridor pergunta ao parceiro se ele lhe cobre as perdentes que tem nesse naipe, de modo a conseguirem fazer 10 vazas.
No segundo caso o problema do Abridor é o mesmo embora o teor do naipe em que lhe interessa ter informações do parceiro – Oiros - seja bastante diferente.

Qual deve ser a atitude do Respondente? Por outras palavras, o que se entende por cobrir perdentes?

Vejamos os seguintes exemplos:

CASO 3

CASO 4

CASO 5

R109

V52

R642

D853

1085

82

9742

A1063

A1073

A4

D853

V98

Com a primeira mão, estando máximo na resposta e com apenas uma perdente a Paus o Respondente não deve hesitar em marcar 4.
Com a segunda, em que na melhor das hipóteses cobre apenas uma perdente, e além disso tem poucos valores laterais, o Respondente deve travar o leilão e limitar-se a anunciar 3.
Finalmente com a terceira mão, o Respondente deverá informar o parceiro que, embora não cubra perdentes a Paus, tem outros valores interessantes que o podem ajudar a conseguir 10 vazas, pelo que dá uma voz intermédia, neste caso 3, que mostra valores no naipe, permitindo assim ao abridor tomar a melhor decisão.

CASO 6

CASO 7

CASO 8

A83

V965

984

D1082

R73

RD4

975

D8

D1085

D86

D632

DV4

 

Com a primeira mão a voz de 3 é evidente, enquanto que com a segunda 4 parece uma boa aposta. Já com a terceira mão, se o teor do naipe de oiros pode não ser o ideal para cobrir as perdentes do parceiro, a verdade é que estando máximo, e sabendo que existe em frente uma abertura relativamente forte, a melhor opção é a voz de 3 ST.

A dificuldade maior na avaliação da resposta a um “trial-bid” é que ele tanto pode ser feito com um naipe de 3 cartas vis em que o importante é que o parceiro tenha poucas perdentes no naipe, como com 4 ou mesmo 5 cartas de figura em que o que interessa é que o parceiro tenha complemento no naipe.

Daí que as respostas não se devam limitar a remarcar o naipe de trunfo ao nível de 3 ou 4 conforme se cubra ou não perdentes, mas antes procurar dar informações complementares ao parceiro naquelas mãos em que o teor do nosso naipe do “trial-bid” não seja claramente útil ou inútil.

Finalmente uma curta referência a um tipo diferente de trial-bid, feito através da voz de 2ST que pede ao parceiro para marcar um naipe curto – singleton ou doubleton – ou no caso de o não ter, voltar ao naipe de abertura ao nível de 3 ou marcar 3ST se máximo (9 a 10 PH).

Perante a existência de um naipe curto no parceiro, o abridor decidirá se existem ou não boas possibilidades de realizar 10 vazas.

* O trial-bid pode ser feito pelo Respondente após leilões do tipo:

1- 1
2
A filosofia é a mesma.”